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27 junho 2011

Saudade

Jurei que tinha saudades, essa palavra que não existe. Não existe porque eu não sei o significado. Não sei pensar em uma forma, um sentido ou um sentimento que descreva o que é isso. Saudade talvez devesse deixar de existir, pois o que existe é outra coisa.

Talvez a expectativa do que se queria que fosse uma lembrança. Um esboço mal feito, um rascunho daquilo que se gostaria que tivesse sido a lembrança, o momento. Um reflexo torto na margem do rio, as ondas no fundo da estrada, o calor quente do asfalto. Uma fuga do que não passou, uma vontade daquilo que não aconteceu.

Saudade é a lembrança construída com peças selecionadas.

Saudade não existe. Isso não é saudade, é tormento.

Postado por Anônimo às 12:47 0 comentários
27 junho 2011

Saudade

Jurei que tinha saudades, essa palavra que não existe. Não existe porque eu não sei o significado. Não sei pensar em uma forma, um sentido o...
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16 junho 2011
E eu pensava que a confusão das ideias misturadas fossem arder um pouco mais fundo, mas percebi, já não é a primeira vez, que a pior dor é aquela que se esconde por baixo das cobertas de uma indiferença que só existe porque o corpo já saiu de controle...
Postado por Anônimo às 02:39 0 comentários
16 junho 2011
E eu pensava que a confusão das ideias misturadas fossem arder um pouco mais fundo, mas percebi, já não é a primeira vez, que a pior dor é a...
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11 junho 2011
Por que quanto mais próximo está, mais distante parece? Chega mais perto um pouquinho, vai...
Postado por Anônimo às 18:18 1 comentários
11 junho 2011
Por que quanto mais próximo está, mais distante parece? Chega mais perto um pouquinho, vai...
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15 outubro 2010

Filosofia de bar

Copo meio cheio ou meio vazio, vai saber. No fim a ressaca das pernas é a mesma, isso que já não se anda tanto há um certo tempo. O pensamento fechado, a conversa vazia, noites a fio sem sequer uma sensação de descanso. A cabeça trabalhando fora de sintonia com as palavras, os gestos, as ações. É uma contradição interna, para que no fundo ninguém saiba o segredo da tranca - que de segredo, convenhamos, não tem nada.

Essa vida torta parece um baile de máscaras. A gente esquece nome, rosto, corpo, pele, roupas, pudor… Não espera amanhecer, pois a primeira chegada da luz é suficiente para nos lembrar que é outro dia. Passa a festa, voltamos pra casa e o dia amanhece como se nada fosse importante o suficiente para ser lembrado.

E a gente se consome todo dia…
Postado por Anônimo às 18:12 0 comentários
15 outubro 2010

Filosofia de bar

Copo meio cheio ou meio vazio, vai saber. No fim a ressaca das pernas é a mesma, isso que já não se anda tanto há um certo tempo. O pensamen...
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19 abril 2010

Fragmento II

Ela ignorava qualquer possibilidade de ser feliz. Era como se admitir que o curso das coisas vai bem fosse um empecilho para se sentir confortável consigo mesma. Não importava se na vida dela não existissem desgostos, ela logo tratava de encontrar algum.
Postado por Anônimo às 18:10 0 comentários
19 abril 2010

Fragmento II

Ela ignorava qualquer possibilidade de ser feliz. Era como se admitir que o curso das coisas vai bem fosse um empecilho para se sentir confo...
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17 abril 2010

Fragmento I

É como se a felicidade só existisse nesse estado sutil de desespero.
O sorriso encharcado de suor, comprimindo contra o corpo a angústia - falsa acalentadora de emoções - que só existe quando muito desejada, quase tanto quanto a vontade de livrar-se dela.
Postado por Anônimo às 18:10 1 comentários
17 abril 2010

Fragmento I

É como se a felicidade só existisse nesse estado sutil de desespero. O sorriso encharcado de suor, comprimindo contra o corpo a angústia - f...
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Querer intensamente

Sem meta e nem rumo, a pista segue em frente. No meio das curvas, desvios e retornos que se encontram perdidos no caminho - talvez não mais que eu, que pouco sei por que lado da vida seria mais seguro caminhar -, eu procuro encontrar algum viver pra mim. Não o mais belo e promissor futuro de todos, que talvez nem mesmo alcance um terço do que prometem as expectativas, mas um que possa, talvez, trazer razoável tranquilidade a quem prefere se manter indigesto.

Uma expectativas inquieta, que não me faça perder as intensidades, misturadas a um exagero tão evitado pelos constantes conselhos que algumas vivências me trazem. Quero um um exagero um pouco maior que aquele, um exagero menos indiferente e mais próximo do âmago do corpo, mesmo que apenas momentâneo ou simulado. Aliás, há instantes em que o teatro cotidiano já não me incomoda tanto, e, ao final do espetáculo, todo esse ensaio se perde da realidade e cria uma falsa satisfação que anestesia os sentidos. O pouco que a vida me permitiu compreender dos sentidos é o suficiente para me ceder o desejo de alcançar qualquer um que exista, ao mesmo tempo que me prende ao medo das espectativas que, quando deixadas logo de início, já não são mais tão temorosas quanto eram no princípio.
Postado por Anônimo às 18:08 0 comentários

Querer intensamente

Sem meta e nem rumo, a pista segue em frente. No meio das curvas, desvios e retornos que se encontram perdidos no caminho - talvez não mais ...
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O que sei do tempo

Acho que nada.
E não deveria fazer questão de saber, embora algumas vezes arrisque acreditar que sei. Arrisco fingir. O que não é uma dificuldade maior do que segurar aquela vontade louca de saber do tempo. O tempo que passa, o tempo que fica e o tempo que diz que vem. Finge que vem. Minha noção do tempo virou uma linha conturbada entre o que é e o que não está para acontecer, sem qualquer espectativa de entendimento.



Mas eu finjo que entendo.
Postado por Anônimo às 18:08 0 comentários

O que sei do tempo

Acho que nada. E não deveria fazer questão de saber, embora algumas vezes arrisque acreditar que sei. Arrisco fingir. O que não é uma dificu...
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22 maio 2009

Esquecer para não lembrar

Logo eu, que nunca duvidei das lembranças, prefiro deixar os momentos passarem. Não me importa mais pensar de quantas cores eu preciso para montar um retrato sem moldura e engavetado. Não me importa por quantas formas e traços passam os lados de um quadrado, se pelos museus as belas artes não são consumadas por inteiro. Não me convence apenas admirar obras estáticas, frias e caladas. Eu queria poder invadir os corredores na surdina e roubar toda aquela admiração pra mim, e quem sabe construir meu próprio museu de lembranças descartáveis, a ser trancado e nunca mais visto. Esquecer tudo e não guardar nada. Não há o que se admirar além de vontades e desperdícios, pregados na parede vazia como a distância de dois palmos entre os olhos fundos e a tinta seca.

Eu sigo em passos sem medida, e vejo passar as pessoas que esquecem. Vejo uma sombra, um nuance sem gosto das coisas que se perdem no esquecimento. Vejo o poder de indigestão de uma quase meia dúzia de letras. Esquecer é uma palavra indigesta. Uma palavra amarga. E é posta no prato como uma outra coisa qualquer, mas no âmbito da garganta ela se prende e suplica por ficar.

Eu não (consigo) quero esquecer. Esquecer está além do que eu posso sentir. O que eu quero é não lembrar.

Guardar tudo o que foi em um porão sem chave, e seguir outros passos.

Mas todos os passos me levam ao último lugar onde eu gostaria de parar: o contentamento.
Postado por Anônimo às 18:07 0 comentários
22 maio 2009

Esquecer para não lembrar

Logo eu, que nunca duvidei das lembranças, prefiro deixar os momentos passarem. Não me importa mais pensar de quantas cores eu preciso para ...
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18 março 2009

Fala pra mim

Sorri pra mim, meu bem, e me diz como eu devo me sentir
Me fala mais daquele erro inventado, do pecado que nós cometemos
Daquele dia em que o pudor fugiu pela porta dos fundos e o bom senso não quis mais saber da gente
Me fala das loucuras de outro dia, quando rasgamos contratos e lençóis entre nossos corpos
Quando nos esquecemos de quem éramos e o silêncio preencheu a página vazia daquele romance que escrevíamos juntos
Me fala das suas aventuras, das suas revoltas, dos seus segredos mais sujos, das mulheres da sua vida
Quero ouvir suas histórias, suas poesias, sua boca estalando na minha
Quero saber de onde veio esse seu olhar meio malandro na vida, meio cansado do mundo
Me fala das promessas que você não cumpriu, daquele beijo que você nunca me deu
E depois de toda essa tentativa de entendimento
Me conta uma história e me põe pra dormir.



Só não me fala de amor
Não me fala com palavras de mentira
O que eu não quero mais pensar daquele dia
Postado por Anônimo às 18:03 0 comentários
18 março 2009

Fala pra mim

Sorri pra mim, meu bem, e me diz como eu devo me sentir Me fala mais daquele erro inventado, do pecado que nós cometemos Daquele dia em que ...
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10 fevereiro 2009

Lembrar-se do que nunca existiu

E, como se lembrasse, Clarice escreve. Assim traz à memória um sentimento capaz de se desenhar sozinho. Sentimento que não vive e não morre: apenas se lembra.

Mas viver é um processo contrário. O que acontece, se esquece de tanto lembrar. Coisas supérfluas se tornam os momentos marcantes, e quando não resta mais nada, as unhas enterram tão fundo no corpo que a lembrança se machuca. Se desgasta. Se acaba. Se mata. E não há mais o que lembrar. Se eu não tenho do que lembrar, logo não terei do que escrever.

E algumas palavras não podem ser recicladas.

Percebi: não tenho do que lembrar, apenas do que esquecer. Passa a dor, passa o momento. Até que tudo acaba e sobram restos de verdades.

Mas verdades não são lembranças.
Postado por Anônimo às 19:00 0 comentários
10 fevereiro 2009

Lembrar-se do que nunca existiu

E, como se lembrasse, Clarice escreve. Assim traz à memória um sentimento capaz de se desenhar sozinho. Sentimento que não vive e não morre:...
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24 outubro 2008

O que seriam?

Promessas pequenas, palavras apenas.





A ilusão tornaria tudo mais fácil, mas a desconfiança é uma víbora dominadora.
Postado por Anônimo às 00:15 6 comentários
24 outubro 2008

O que seriam?

Promessas pequenas, palavras apenas. A ilusão tornaria tudo mais fácil, mas a desconfiança é uma víbora dominadora.
Postado por Anônimo às 00:15 6 comentários
20 agosto 2008

Fazendo um quadro

Me pediram para pintar a tristeza.
Não sei que forma ela tem, também, como poderia algo tão infinito ter geometria? Minha tristeza é infinita, ela não tem forma. Se tiver, é forma de nuvem, para eu poder deitar sob o céu e tentar descobrir, dentre tantas formas, qual é a da minha tristeza. Estranha, comum, pequena, grande, redonda, espada, sorriso...
Ou só formato de tristeza mesmo. Mas a minha tristeza não é azul como o céu. Não sei de que cor é a minha tristeza, e nem consigo pensar em uma. Com o pincel na mão, não pensava em nada. Só via o papel em branco, e era só nele que conseguia pensar. Não via cor, e nem queria. Branco estava bom, era só como eu podia pensar minha tristeza. Via tantas cores e tantas formas diferentes na minha tristeza, que não sabia como ela era. E ela ficou branca pra mim. Já não era mais nada.
E o quadro ficou branco. Não havia quadro.
Havia tristeza?
A cor e a tela estavam lá.
Quem não estava era eu.
Postado por Anônimo às 17:05 2 comentários
20 agosto 2008

Fazendo um quadro

Me pediram para pintar a tristeza. Não sei que forma ela tem, também, como poderia algo tão infinito ter geometria? Minha tristeza é infinit...
Postado por Anônimo às 17:05 2 comentários